A 23ª Feira das Nações, que acontece de 23 a 25 de março, será realizada num dos locais mais belos da cidade: a Usina Santa Bárbara.
Considerada um patrimônio histórico, cultural e ambiental, parte das áreas da antiga Usina pertence ao Município desde o ano passado. Sua história começou em 1877 quando major João Frederico Rehder comprou do Barão de Tatuí, intermediado por Prudente de Moraes, a Fazenda São Pedro, destinando-a ao cultivo de cana de açúcar. Nesse mesmo ano, teve início o cultivo. Em 1883, foi instalado no local o primeiro engenho de cana de açúcar e com a prosperidade dos negócios em 1897 foi inaugurada a Fábrica de Álcool João Frederico Rehder.
Em 1902, a Fazenda São Pedro foi escolhida para a instalação de uma usina açucareira. A iniciativa coube a Antonio C. Melchert, então presidente da Companhia. Os fundadores foram Antonio C. Melchert, Gabriel Dias da Silva e Louis Lombard. O projeto inicial de construção coube ao francês Gilbert Lescuyer e a edificação teve início em setembro de 1913 com maquinário vindo da França.
Aos 22 de fevereiro de 1913, realizou-se em São Paulo, a Assembléia Geral de Constituição da Companhia de Estrada de Ferro e Agrícola de Santa Bárbara. A inauguração da usina de açúcar instalada na Fazenda São Pedro foi em 25 de julho de 1914, tendo na primeira diretoria Guilherme Rehder, João Rehder, Louis Lombard, Antônio Melchert, Teodoro Bento, Gabriel Dias da Silva e Gabriel Sales da Silva.
Em 1922, o Coronel Luiz Alves de Almeida comprou a usina e fez vários investimentos para sua automação, elevando a produção anual de açúcar. Sua mulher, Dona Carolina, construiu um extenso trabalho de ação social. Com a morte do Coronel, em 1936, o controle da Companhia passou para seu filho Roberto Alves de Almeida, que, com os familiares a conduziu até 1968.
Nesse ano, a Usina foi comprada pelo Grupo Pedro Ometto, passando a denominar-se "Companhia Industrial e Agrícola de Santa Bárbara". O Grupo dinamizou a colheita de cana e intensificou a produção do açúcar e do álcool.
A incorporação da Usina Azanha S/A - Açúcar e Álcool e os incentivos do Proálcool, propiciaram a expansão das áreas de cultivo e incremento da produção do álcool. Com a nova denominação, Usina Santa Bárbara S/A - Açúcar e Álcool, a empresa iniciou em 1980 sua expansão mais significativa, quando foram instaladas novas colunas de destilação e um conjunto de moendas, elevando sua capacidade nominal de produção.
Em 1980, a Companhia desenvolvia três atividades distintas, razão pela qual a direção da Sociedade, decidiu pela cisão do patrimônio social da empresa, que ficou constituído da seguinte forma: Companhia Industrial e Agrícola de Santa Bárbara que foi mantida como centro de produção agrícola; Usina Santa Bárbara S/A. - Açúcar e Álcool que passou a centralizar a atividade industrial e Dabarra Participações S/A., empresa do Grupo Pedro Ometto, que ficou com os investimentos que a Sociedade possuía em outras empresas. Dessa maneira surgiu a Usina Santa Bárbara S/A - Açúcar e Álcool, localizada na Estrada Santa Bárbara/Piracicaba, km 142 em Santa Bárbara d'Oeste.
A direção da Usina Santa Bárbara S/A - Açúcar e Álcool passou para Rubens Ometto Silveira Mello e Celso Silveira Mello Filho, então diretores da Usina Costa Pinto, em 1986. Um ano depois, com a coligação das empresas Usina Santa Bárbara e Usina Costa Pinto formou-se o Grupo COSAN. Em 1995, a Usina foi desativada.
No ano de 2006, o Município recebeu da Bertol Participações Ltda áreas da antiga Usina Santa Bárbara. Foram assinados dois termos de compromisso entre o Município e a Bertol. Os termos prevêem a transferência de uma área total de 789.279,39 m² ao patrimônio do Município. Desse total, uma parte (651.756,59 m²) são terras classificadas como áreas de interesse ambiental; e o restante (137.522,80 m²) são terras tidas como de interesse histórico e cultural.
Na área de interesse histórico foram transferidos imóveis como os barracões, a igreja, a escola, o armazém e o cinema. Permaneceu com a Bertol, a área de terra que compreende a casa grande, a capela e as casas da Colônia Dona Carolina. Na área de interesse ambiental estão as nascentes, quatro lagoas e mata, além de uma Estação de Tratamento de Água.
A partir de hoje, as áreas da antiga Usina Santa Bárbara serão palco do evento mais esperado do ano: a 23ª Feira das Nações.